O antigo sanatório Kaempf de Santa Cruz do Sul

O Sanatório Kaempf de Santa Cruz do Sul

Um pouco sobre a clínica psiquiátrica, a venda e a mudança do prédio de 130 anos.

Desde que decidi ir a Santa Cruz do Sul e vi esse prédio, me deu vontade de conhecer e pesquisar sobre sua história. Por que? porque tem cara de Alemanha e me lembrou um pouco Berlim.

Fui visitar o tal prédio e achei realmente lindo, mas infelizmente não pude entrar devido a uma placa de propriedade particular, crime e blablabla. Pena.

Resolvi trazer aqui um pouco da história desse local que já foi clínica, hospital psiquiátrico, tentativa de pousada e, parece que agora, pertence a uma faculdade.

Em 15 de novembro de 1889, mesmo dia em que no Rio de Janeiro era proclamada a República, na pequena Vila de Santa Cruz (cerca de mil habitantes) foi aberta a Clínica Vida Nova. A iniciativa foi do jovem médico alemão Carl Hermann Eduard Kämpf.

Naturalista convicto, ele nasceu em Leipzig (Alemanha), em 1859, e formou-se na Escola Elementar de Medicina, com ênfase em técnicas alternativas de saúde, como hidroterapia. Veio para o Brasil em 1882 e foi morar na Colônia de Monte Alverne. Lá, casou-se com Edwig Engel e teve cinco filhos: Catharina (Kathi), Guilherme, Ricardo, Arthur e Arno.

Por algum tempo trabalhou na terra, mas logo adquiriu o terreno para instalar a clínica. A escolha recaiu sobre uma área bucólica na saída de Santa Cruz para Rio Pardinho e Sinimbu. A chácara, de 45 hectares, em um local tranquilo e afastado do centro urbano, tinha todas as características para um sanatório: mato, riacho límpido e fontes de água. A região montanhosa era ventilada, com ótima iluminação e vista privilegiada.

Ele mesmo construiu uma pequena casa de alvenaria para residir e receber os primeiros pacientes. A instituição foi batizada de Natur-Heilanstalt Santa Cruz (Hospital de Cura Natural Santa Cruz). O médico teve seu nome “aportuguesado” para Eduardo Kaempf.

A fama do naturalista se espalhou pela região. Os tratamentos hidroterápicos consistiam em banhos de água quente e gelada, suadores, banhos a vapor (sauna), emplastros de lama medicinal, caminhadas pela mata (trilhas) e massoterapia. A alimentação era natural, de acordo com as necessidades do paciente.

Eram tratados pacientes com reumatismo, dores, doenças nervosas, fraqueza, fadiga crônica e outras. O movimento era grande. Em 12 dezembro de 1895, foi inaugurado um novo prédio de dois andares. Aos convidados, foi servido banquete com comidas naturais.

Em 1918, Carl faleceu; seu filho, Arthur Valter Kaempf, continuou com os tratamentos hidroterápicos até 1956, quando também faleceu. O local permaneceu como hospital geral até 1973. Nesse ano, iniciou-se o período de clínica psiquiátrica, que perdurou até 1999, tendo essa como sua única função. Quando a clínica fechou, nesse mesmo ano, o local transformou-se no Recreio Vida Nova, com internos remanescentes e pensionistas. A instituição existiu até junho de 2018, quando foi vendida. Até 1999, 80 mil pessoas haviam passado pelo Sanatório Kaempf.

Foi com a criação da lei estadual 9.716 de 1992, chamada de Lei Antimanicomial (precursora da lei nacional 10.216/2001), que as coisas começaram a mudar. Com a sua promulgação, instaurou-se uma reforma psiquiátrica no país: ficou impedida a ampliação de hospitais psiquiátricos, e os requisitos para internação compulsória foram modificados. O criador da lei precursora no Brasil, o ex-deputado e jornalista Marcos Rolim, afirma que ela deixou claramente indicado que esse era o caminho. “Recursos comunitários de atenção à saúde mental, onde as pessoas pudessem todos os dias ser atendidas, ser tratadas, de tal maneira que se prevenisse o surto. Após a reforma psiquiátrica, então, o Sanatório Kaempf, enfrentando dificuldades financeiras, foi encerrado.

No século passado, os tratamentos medicinais eram diferentes dos de hoje. “Há 25 anos, praticamente o único recurso que se tinha para o tratamento de pessoas com algum sofrimento psíquico, alguma doença mental, era a internação psiquiátrica”, afirma Rolim.

Então,essa é a história do magnífico prédio da cidade de Santa Cruz. Espero que a faculdade a qual comprou, preserve essa belíssima arquitetura.

Encontrei um vídeo que foi feito quando ainda podiam entrar lá. Olhe só!

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